Cada vez mais jardineiros de fim de semana procuram formas de proteger as culturas das lesmas sem recorrer de imediato a produtos químicos. E há um truque surpreendentemente simples a ganhar popularidade: basta uma tábua de madeira crua, sem tratamento, para reduzir de forma significativa estes “comedores” na horta - sem custos e sem substâncias nocivas.
Porque é que as lesmas acham a madeira irresistível
As lesmas são animais frágeis. Como não têm concha protectora, perdem água continuamente através da pele e do muco. Por isso, procuram locais escuros, húmidos e abrigos muito perto do solo - e é exactamente aí que entra a estratégia da tábua.
Uma peça de madeira não tratada cria um microclima que as atrai quase como um íman:
- A madeira absorve humidade do solo e do ar.
- Debaixo da tábua, a temperatura mantém-se mais baixa e há sombra por mais tempo.
- A superfície é áspera, o que facilita a aderência dos animais.
Durante a noite, as lesmas percorrem os canteiros, roem plântulas e rebentos jovens e, ao amanhecer, procuram um esconderijo seguro. Ao colocar tábuas com antecedência, está a oferecer-lhes esse refúgio - mas com uma intenção bem definida.
"As lesmas juntam-se voluntariamente debaixo da tábua de madeira; ao jardineiro só lhe resta apanhá-las."
Desta forma, o instinto natural de sobrevivência transforma-se no próprio engodo.
Que tipo de madeira serve - e qual não convém
Para a armadilha resultar, a escolha do material faz diferença. Nem todas as tábuas funcionam da mesma forma.
Bem adequado
- Tábuas antigas de cofragem compradas em lojas de bricolage
- Prateleiras de madeira crua de abeto ou pinho
- Restos de soalho ou ripas sem verniz
- Sobras de OSB, desde que não sejam revestidas
Melhor evitar
- Tábuas envernizadas ou com lasur
- Painéis de mobiliário com revestimento (por exemplo, aglomerado brilhante)
- Placas com camada de plástico ou metal
A madeira tratada quase não absorve humidade, mantém-se seca no interior e deixa de oferecer condições realmente apelativas. Já a madeira crua, por ser porosa, retém água e cria o “abrigo húmido” que a técnica procura.
Passo a passo: como funciona a armadilha da tábua
Usá-la no canteiro é fácil, mas alguns pormenores determinam se vai ter resultados - ou frustração.
- Escolher o local: coloque a tábua junto à borda do canteiro, ao lado de alface, feijão, espinafres, couves ou ervas jovens. Estas plantas são conhecidas por atrair lesmas.
- Humedecer o solo: regue bem a zona onde a tábua vai assentar. Assim cria um “ponto húmido” especialmente atractivo.
- Assentar a tábua: coloque-a plana no chão, sem folgas. Quanto mais rente ao solo, melhor a humidade se conserva.
- Esperar pela noite: as lesmas deslocam-se durante a noite e, de manhã, refugiam-se sob a madeira.
- Verificar de manhã: cedo, antes de o sol aquecer, levante a tábua e recolha os animais.
Quem tem vários canteiros - ou já sofreu danos intensos - pode espalhar várias tábuas, criando uma espécie de “cinturão” de captura em torno das culturas preferidas.
Sem venenos contra lesmas - e as vantagens disso
Os granulados anti-lesmas são criticados há anos. Produtos com determinados princípios activos podem afectar não só os animais-alvo, como também ouriços, aves ou anfíbios, caso comam lesmas envenenadas. Até preparações consideradas “biológicas” voltam e meia entram na discussão, porque em grandes quantidades podem desequilibrar o ecossistema.
A tábua de madeira actua de forma totalmente diferente:
- Sem substâncias activas no solo
- Sem risco para crianças e animais de estimação
- Sem resíduos nos legumes
- Custos mínimos: muitas vezes basta madeira que já existe em casa
"A armadilha da tábua não substitui um plano completo de protecção, mas é uma peça forte na jardinagem sem venenos."
A forma de remover as lesmas fica ao critério de cada jardineiro. Há quem as leve para longe, para uma zona mais “selvagem”; outros dão-nas a galinhas ou patos. O essencial é não as largar ao lado do canteiro - caso contrário, regressam mais depressa do que se imagina.
Tábuas como instrumento de medição no jardim
Esta abordagem não serve apenas para capturar; também ajuda a perceber melhor o próprio terreno. Ao distribuir várias tábuas, torna-se fácil identificar onde estão os “hotspots” escondidos.
Padrões frequentes que acabam por surgir:
- Muitos animais perto de sebes densas ou junto ao composto
- Forte concentração em depressões com água acumulada
- Infestações mais elevadas em canteiros muito cobertos com mulch e ricos em matéria orgânica
Quando conhece estes pontos críticos, pode agir: melhorar a drenagem, reduzir temporariamente camadas de mulch muito espessas ou optar por plantas menos apetecíveis para lesmas, como certas ervas aromáticas.
Como combinar a técnica da tábua de forma inteligente
Quem quer reduzir o problema de forma duradoura não depende só de armadilhas: pensa no conjunto do jardim, onde várias medidas se complementam.
Incentivar inimigos naturais
Entre os aliados mais importantes estão ouriços, sapos, patos corredores, lagartos e algumas espécies de escaravelhos. Precisam de abrigos, pontos de água e o mínimo possível de perturbações. Montes de folhas, alinhamentos de pedras, pequenos recipientes com água e canteiros sem químicos criam refúgios adequados. Além disso, quem recolhe lesmas à noite acaba por fornecer, de certa maneira, um buffet fácil para esses predadores.
Barreiras e truques de plantação
Há superfícies de que as lesmas não gostam, porque lhes irritam a “barriga” e a pele. Em volta de culturas sensíveis, alguns jardineiros colocam, por exemplo:
- Cascalho grosso ou brita de arestas vivas
- Pellets de madeira ou de lã de ovelha
- Anéis metálicos ou vedações anti-lesmas específicas
Ao mesmo tempo, vale a pena rever a escolha de plantas. Certas variedades ornamentais e hortícolas sofrem menos ataques. Alfaces mais robustas, muitas aromáticas mediterrânicas ou perenes vigorosas podem aliviar as culturas mais delicadas ao repartir a pressão no canteiro.
Limites e riscos a considerar
Por mais engenhosa que seja a tábua, raramente resolve sozinha uma infestação grande. Em anos muito chuvosos ou em solos pesados, a pressão pode ser tão alta que são necessárias medidas adicionais. Se demorar demasiado a fazer a recolha, arrisca-se ainda a que, sob a madeira, se instalem também outros animais, como bichos-de-conta ou aranhas. Não é grave, mas pode surpreender quem é mais sensível.
Há ainda um ponto importante: algumas espécies quase não se deixam atrair por tábuas ou já preferem outros esconderijos, como relva alta, cobertos vegetais densos ou montes de pedras soltas. Se depender apenas da madeira, pode estar a contornar as causas reais do problema.
Exemplo prático: como poderia ser um plano de época
Para integrar a técnica da melhor forma, ajuda ter um guião simples ao longo do ano:
| Período | Medida com tábuas |
|---|---|
| Início da primavera | Colocar as primeiras tábuas nos canteiros planeados de alface e feijão e verificar a presença de lesmas. |
| Na altura de plantar | Posicionar as armadilhas mesmo ao lado das plantas jovens acabadas de transplantar e controlar diariamente. |
| Verão | Mudar as tábuas para zonas sombrias e húmidas, onde as lesmas tendem a refugiar-se. |
| Outono | Reduzir as verificações e usar as tábuas como indicador de locais de hibernação. |
Com esta rotina, passa a conhecer muito bem a sua população de lesmas. Elas não desaparecem por completo, mas os estragos diminuem de forma clara - e os legumes ganham uma vantagem visível para crescerem grandes e estaladiços.
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