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Cerimónia de lançamento da fragata Cunha Moreira (F202)
Numa cerimónia realizada na sexta-feira, 26 de junho, no estaleiro TKMS Brasil Sul, em Itajaí, no estado de Santa Catarina, a Marinha do Brasil efectuou o lançamento ao mar da fragata Cunha Moreira (F202), a terceira unidade da nova classe Tamandaré, concebida para substituir progressivamente as veteranas fragatas da classe Niterói. A ocasião contou com a presença do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do Ministro da Defesa José Múcio Monteiro, além de autoridades civis e militares e de representantes da indústria naval e de defesa.
Construção no Brasil e calendário até 2028
Construída integralmente no Brasil ao abrigo de um modelo de transferência de tecnologia com a Alemanha, a Cunha Moreira (F202) é a terceira de quatro fragatas previstas no primeiro lote do Programa de Fragatas da Classe Tamandaré. Após o lançamento ao mar, o navio avançará para as fases de integração de sistemas e para as provas em porto e no mar, com vista à incorporação ao serviço da Marinha do Brasil, prevista para 2028.
Durante a cerimónia, o comandante da Marinha do Brasil, Almirante Marcos Sampaio Olsen, sublinhou o peso do programa no reforço das capacidades navais do país. Nesse contexto, afirmou: “O lançamento ao mar da fragata ‘Cunha Moreira’ não representa apenas uma etapa formal do Programa de Fragatas da Classe Tamandaré. Representa a consolidação da vontade nacional de construir meios eficientes para serem empregados nas áreas marítimas de interesse do Brasil”.
Capacidades da classe Tamandaré e perfil operacional
Assentes no desenho alemão MEKO A-100, as fragatas da classe Tamandaré deslocam cerca de 3,500 toneladas, têm 107.2 metros de comprimento e atingem velocidades superiores a 25.5 nós. Estão equipadas com o sistema de defesa antiaérea Sea Ceptor, mísseis antinavio MANSUP desenvolvidos pela indústria brasileira, um canhão Leonardo de 76 mm, canhões Rheinmetall de 30 mm, tubos lança-torpedos, radares multifunção, sonar e um moderno sistema de gestão de combate, além de disporem de capacidade para operar helicópteros embarcados. Este conjunto permite-lhes executar missões de guerra antissuperfície, antiaérea e antissubmarina, bem como tarefas de patrulha e de presença naval.
As novas unidades deverão assumir um papel central na protecção da chamada Amazónia Azul, o espaço marítimo sob jurisdição brasileira com cerca de 5.7 milhões de quilómetros quadrados, onde se concentram recursos naturais relevantes, infra-estruturas estratégicas e rotas por onde circula mais de 90% do comércio externo do país. Do mesmo modo, contribuirão para reforçar a vigilância das áreas marítimas de interesse, a protecção de instalações críticas e o controlo das linhas de comunicação marítima.
Baptismo, transferência para doca flutuante e integração de sistemas
Após o tradicional baptismo da fragata, presidido pela madrinha Marcella Olsen, a Cunha Moreira (F202) foi submetida à manobra de transferência do cais de construção para uma doca flutuante, uma fase determinante do processo. Nesta operação, o navio foi movido do plano inclinado de construção para a doca, sendo depois colocado na água, o que abre caminho ao arranque dos trabalhos de integração de equipamentos, instalação de sistemas, ensaios e restantes actividades necessárias antes da entrada ao serviço.
Marco no programa Tamandaré e plano para oito navios
O lançamento ao mar da F202 constitui mais um marco no Programa de Fragatas da Classe Tamandaré, cuja primeira unidade, a Tamandaré (F200), foi incorporada ao serviço em 2026. Em paralelo, a Jerônimo de Albuquerque (F201) prepara-se para iniciar as suas provas de aceitação no mar, enquanto a quarta unidade, a Mariz e Barros (F203), prossegue em construção no mesmo estaleiro de Itajaí. Em simultâneo, o Ministério da Defesa do Brasil e o consórcio Águas Azuis avançam com o planeamento de um segundo lote de mais quatro fragatas, iniciativa que elevaria para oito o total de navios da classe.
Créditos da imagem: Marinha do Brasil.
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