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Papa Leão XIV pede à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) que evite o cisma antes da ordenação de quatro bispos

Papa Francisco sentado a uma mesa, escrevendo com a Basílica de São Pedro ao fundo, Vaticano.

O Papa dirigiu um apelo à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo tradicionalista conhecido como “lefebvristas”, para que não avance para um cisma na Igreja Católica, na véspera da prevista ordenação de quatro bispos sem a autorização de Leão XIV.

Apelo do Papa à FSSPX para evitar o cisma

O Pontífice formulou o pedido por escrito, numa carta enviada ao superior geral da FSSPX, Davide Pagliarini, na qual propõe um caminho aberto ao entendimento. “A Igreja está pronta para trilhar um caminho de diálogo e de compreensão que o Espírito Santo possa tornar possível e fecundo”, lê-se na missiva, divulgada esta terça-feira pelo Vaticano.

Leão XIV afirmou ainda, na mesma carta, que a Igreja “reconhece o apego à vida litúrgica, o compromisso com a formação sacerdotal, o zelo apostólico e o desejo de fidelidade à tradição que caracterizam muitos indivíduos e comunidades ligados” à FSSPX.

Num tom que descreveu como “num espírito paternal” e “de todo o coração”, o Papa pediu aos “lefebvristas” que recuem nas suas intenções e alertou-os “em última instância” para a possibilidade de excomunhão.

“Com este espírito, e cheio de afeto cristão, suplico-vos e imploro-vos de todo o coração: revertam a vossa decisão! Exorto-vos a considerarem cuidadosamente o bem espiritual dos fiéis, porque o ato cismático que cometeriam os privaria de receberem de forma lícita e, em alguns casos, até válida, os sacramentos que amam e procuram para a sua própria santificação”, apelou o Papa na sua carta.

O Pontífice acrescentou que reza por estes tradicionalistas, sublinhando que “rasgar a veste de Cristo”, isto é, a unidade da Igreja, “constitui um pecado de extrema gravidade”. “Em virtude da autoridade recebida de Cristo, com o coração pesado, mas ainda cheio de esperança, sinto o dever de pedir que desistam do seu propósito”, concluiu.

Ordenação de quatro bispos sem mandato pontifício

Os “lefebvristas” - congregação tradicionalista criada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, opositor das reformas decorrentes do Concílio Vaticano II - preparam-se para ordenar, na quarta-feira, quatro bispos sem permissão papal.

Em maio, o Vaticano já tinha advertido que a nomeação desses quatro bispos seria um “ato cismático”, com a consequente excomunhão dos envolvidos, à semelhança do que ocorreu noutras ocasiões.

Também em maio, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, o cardeal argentino Víctor Manuel Fernández, voltou a insistir por escrito que estas ordenações episcopais “não têm o mandato pontifício correspondente” e configuram uma “grave ofensa”.

Antecedentes: conflitos anteriores com Roma

Não é a primeira vez que esta fraternidade, crítica de várias mudanças na Igreja após o Concílio Vaticano II, entra em choque com Roma. João Paulo II (1978-2005) excomungou o fundador e os quatro bispos que ele ordenou em 1988 sem a respectiva aprovação.

Mais tarde, Bento XVI (2005-2013) procurou recuperar a confiança junto desta congregação tradicionalista e anulou a excomunhão dos prelados. Agora, o padrão repete-se: os seguidores de Lefebvre pretendem ordenar mais quatro bispos - uma prerrogativa exclusiva do Papa - invocando um “estado de necessidade” para garantir a continuidade da organização.

Avisos do Vaticano e nomes anunciados

Apesar dos alertas formais, a FSSPX manteve até hoje uma atitude de desafio e, a 26 de maio, chegou a anunciar os nomes dos novos bispos que seriam ordenados em 01 de julho, sem autorização do Papa. Tratam-se do suíço Pascal Schreiber, do norte-americano Michael Goldade e dos franceses Michel Poinsinet de Sivry e Marc Hanappier.

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