Um segundo doente proveniente do navio de cruzeiro MV Hondius - que levou à emissão de um alerta sanitário internacional por causa de um raro surto de hantavírus - testou positivo, informou esta quinta-feira o hospital neerlandês onde se encontra internado.
Confirmação do segundo caso no hospital LUMC (Leiden)
"Está agora confirmado que o doente hospitalizado tem hantavírus. O doente foi informado disso e deu o seu consentimento para que a informação fosse divulgada", indicou o hospital LUMC, em Leiden, que recebeu o paciente na quarta-feira à noite no seu serviço de doenças infecciosas graves.
Horas antes, o hospital Radbud, em Nimega, já tinha confirmado que um doente com origem no navio de cruzeiro tinha tido um teste positivo.
Surto de hantavírus no MV Hondius: vírus, transmissão e ausência de vacina
Não há vacina nem tratamento específico para este vírus, que pode ser contraído por contacto com roedores. A estirpe dos Andes, identificada em passageiros infetados do cruzeiro, é a única para a qual são conhecidos casos de transmissão entre humanos.
Investigação sobre a origem do contágio
A viagem em que foram registados os casos e, até ao momento, três mortes, partiu de Ushuaia, na Patagónia, a 1 de abril, para um percurso através do oceano Atlântico. Os investigadores procuram apurar se a infeção aconteceu em terra - na Argentina, no Chile ou no Uruguai - por via de roedores, ou se ocorreu já a bordo do navio.
Três mortos
O primeiro passageiro a manifestar sintomas (febre, dor de cabeça e diarreia ligeira) foi um cidadão neerlandês de 70 anos, que adoeceu a 6 de abril e é considerado o paciente zero. O homem morreu a bordo a 11 de abril.
Treze dias depois, a 24 de abril, o corpo foi desembarcado em Santa Helena (uma ilha remota no sul do Oceano Atlântico, pertencente ao território britânico), juntamente com a sua mulher, uma neerlandesa de 69 anos.
A mulher também apresentava sintomas, mas viajou de avião para Joanesburgo, na África do Sul, a 25 de abril, onde iria apanhar um voo de regresso aos Países Baixos. Morreu no dia seguinte, e a infeção por hantavírus foi confirmada a 4 de maio.
De acordo com o armador do navio MV Hondius, 30 passageiros - incluindo o corpo do paciente zero - desembarcaram na ilha de Santa Helena.
Entretanto, a 2 de maio, morreu a bordo um cidadão alemão, depois de ter apresentado os primeiros sintomas a 28 de abril. Além disso, um outro passageiro, cidadão suíço e também desembarcado em Santa Helena, foi hospitalizado em Zurique e teve um teste positivo.
Na quarta-feira, mais três casos suspeitos foram retirados do "MV Hondius" em Cabo Verde - dois tripulantes, um britânico e um neerlandês, que estavam doentes, e um contacto assintomático, outro neerlandês - e transferidos em voos médicos que partiram da Praia com destino aos respetivos países de origem.
Os hantavírus transmitem-se aos humanos através de roedores selvagens infetados, que eliminam o vírus na saliva, na urina e nas fezes.
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