Criar uma Academia Municipal de Artes e Ofícios, intensificar o suporte às unidades que trabalham e acompanham crianças e jovens estudantes com necessidades educativas específicas, avançar com uma Rede Municipal para a Inclusão Educativa e dinamizar centros de competências digitais para alunos do 2.º ciclo são algumas das metas inscritas no Plano Estratégico Educativo Municipal (PEEM) 2026-2030 de Gaia.
PEEM 2026-2030 de Gaia: aprovação e linhas estratégicas
O documento mereceu aprovação unânime no Conselho Municipal de Educação. "Mais do que um plano, trata-se de um instrumento de ação, assente em cinco eixos estratégicos - desde a qualidade e sucesso educativo à inclusão, bem-estar, empregabilidade e inovação. O PEEM aposta numa abordagem integrada que coloca o aluno no centro das políticas públicas, valorizando não apenas o conhecimento, mas também as competências sociais, emocionais e digitais", afirma o vice-presidente da Câmara de Gaia, Firmino Pereira, responsável também pelo pelouro da Educação.
O PEEM foi elaborado "num contexto de profundas transformações sociais e tecnológicas, o município assume um papel ativo na preparação das novas gerações, promovendo respostas concretas a desafios como o insucesso escolar, as desigualdades, a saúde mental e a ligação entre a escola e mercado de trabalho".
"Gaia 2030 - Educação com Futuro" ("Gaia 360º") e a verticalidade do ensino público
A estratégia "Gaia 2030 - Educação com Futuro" ou "Gaia 360º" aposta na verticalidade do ensino público e inclui, igualmente, a criação de uma rede de creches municipais, a ligar, numa fase piloto inicial, dois ou três agrupamentos. "Assumiríamos o conceito 'do berço ao 12.º ano' na escola pública", adianta o autarca, realçando ganhos na evolução e progressão curricular, na motivação de alunos e pais, e ainda no reforço da atratividade do ensino público.
Academia Municipal de Artes e Ofícios: resposta à falta de mão de obra
Neste conjunto de medidas, a Academia Municipal de Artes e Ofícios é apontada como especialmente relevante. Tirando partido de profissionais que continuam ao serviço do município, a intenção passaria por preparar carpinteiros, picheleiros, pintores, eletricistas, calceteiros, entre outras ocupações onde se identifica carência de trabalhadores. Em paralelo, seria também "necessário envolver outros parceiros como IEFP [Instituto do Emprego e Formação Profissional], escolas profissionais e empresas". "Estaríamos a contribuir para formar e capacitar em áreas onde a mão de obra escasseia. E aproximávamos, de forma prática, a escola, a formação, às empresas", observa Firmino Pereira.
Rede Municipal para a Inclusão Educativa e centros de competências digitais no 2.º ciclo
A Rede Municipal para a Inclusão Educativa seria concretizada através de uma equipa com elementos de diferentes áreas, focada no apoio às aprendizagens, na saúde mental e bem-estar e no acompanhamento da transição para a vida pós-escolar. "Os objetivos assentam no diagnóstico e intervenção precoce e no acompanhamento ao absentismo escolar, quebras abruptas de rendimento familiar, sinais de alerta emocionais e problemas comportamentais. Lançaríamos um projeto inicial a envolver dois ou três agrupamentos com características diferentes", assinala o vice-presidente da Câmara de Gaia.
Já os centros de competências digitais para alunos do 2.º ciclo serão estruturas municipais orientadas para áreas como computação, robótica, inteligência artificial e ciência de dados, entre outras. "Estes espaços, durante o dia, acompanham jovens estudantes; em horário pós-laboral podem formar pais e outros agentes da comunidade educativa", explica Firmino Pereira.
Participação local e a ambição de um "município educador"
Segundo o vice-presidente da Câmara de Gaia, o PEEM "é o resultado de um amplo processo participativo, que envolveu escolas, juntas de freguesia, serviços municipais e diversas entidades do ecossistema educativo, integrando contributos concretos do território, reforçando uma lógica de governação em rede e proximidade".
"Traduz uma visão ambiciosa de afirmar Gaia como um verdadeiro 'município educador', onde cada criança e jovem tem acesso a oportunidades de aprendizagem de qualidade, alinhadas com os desafios do presente e às exigências do futuro", vinca, ainda, o vice-presidente da Câmara.
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