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PS: José Luís Carneiro acusa Governo de desmazelo nas tempestades com base no relatório da Presidência da República

Homem de fato escuro com documento dá declaração em rua alagada com trabalhadores e pessoas ao fundo.

José Luís Carneiro (PS) aponta “desmazelo” do Governo perante as tempestades

O líder do PS acusou, este sábado, o Governo de revelar desleixo na forma como reage quando o país atravessa fases particularmente difíceis, destacando, em especial, as tempestades que atingiram Portugal em janeiro e fevereiro, apoiando-se no relatório da Presidência da República.

Em Coimbra, e em declarações aos jornalistas, José Luís Carneiro sustentou que o documento “veio mostrar que o Governo não teve capacidade de resposta, chegou tarde, que a resposta foi insuficiente, incompetente, e mostra aquilo que considero ser uma insensibilidade e incompetência, que caracteriza um Governo desmazelado”.

À entrada para uma reunião do Conselho Estratégico, o secretário-geral dos socialistas reforçou a crítica, insistindo que o Governo “é desmazelado na preparação, no planeamento, na resposta e na avaliação dos efeitos destas tempestades”.

Confrontado com perguntas da comunicação social, José Luís Carneiro afirmou que a melhor forma de o executivo liderado por Luís Montenegro responder passa por “perder a insensibilidade que tem tido, ouvir o que lhe tem sido dito pelas oposições, em particular pelo PS, e arrepiar caminho”.

O dirigente socialista enquadrou ainda estas críticas em avaliações semelhantes: “Este relatório [da Presidência da República] de resposta às tempestades está, aliás, de acordo com outros e chamo a atenção para o relatório elaborado por um deputado do PSD [Paulo Moniz] sobre o apagão [elétrico], que vem dizer também que o Governo foi incompetente e incapaz e teve uma grande descoordenação na resposta”, afirmou.

Na leitura do líder do PS, episódios como o apagão, os incêndios de 2025 e, agora, o relatório sobre as tempestades ajudam a consolidar a ideia de que “palavra desmazelo, que melhor caracteriza a resposta do Governo aos momentos mais críticos”.

Relatório da Presidência da República: atrasos, coordenação e falhas de interoperabilidade

No relatório da Presidência Aberta na Zona Centro do país - iniciativa conduzida por António José Seguro entre 06 e 10 de abril, com visitas às áreas afetadas pelas tempestades -, hoje divulgado pelo Público e a que a Lusa teve acesso, o Presidente da República entende que o impacto do mau tempo do início do ano obriga a que “se acelerem apoios, se clarifiquem medidas” e a uma coordenação mais eficaz entre as entidades que atuam no terreno.

O documento assinala que as preocupações recolhidas durante a Presidência Aberta são inequívocas, apontando “a lentidão de alguns apoios, a persistência de situações por resolver, a necessidade de reforçar a redundância das telecomunicações, do fornecimento de energia, das acessibilidades e da comunicação em emergência, e a urgência de garantir que o território entra nos meses de maior risco em condições mais seguras do que aquelas em que saiu do inverno”.

O relatório conclui também que a gestão da crise provocada pelas tempestades de janeiro e fevereiro “revelou insuficiências de coordenação, clareza e interoperabilidade”.

No mesmo sentido, sublinha que “A crise expôs debilidades no aviso, na comunicação de risco, na articulação entre níveis da administração, na clareza dos interlocutores setoriais, no enquadramento do apoio militar, na interoperabilidade entre plataformas e na capacidade de tratamento administrativo da informação”, refere o documento.

Ao longo de quase cem páginas, o relatório identifica dez prioridades de ação - cinco das quais de execução imediata -, bem como onze “lições estratégicas para o futuro”.

Prioridades do PS: custo de vida, habitação, saúde e salários

Quanto às matérias estratégicas para o país, José Luís Carneiro voltou a sublinhar que, para os socialistas, as prioridades passam pelo custo de vida, pela habitação, pelo acesso à saúde e pela massa salarial, temas que, diz, “que merecem todo o empenho e todo o trabalho”.

O secretário-geral do PS detalhou esse foco político, distinguindo duas urgências: “Por um lado, as questões ligadas ao custo de vida, pois é muito importante garantirmos respostas para as dificuldades que as pessoas estão a passar, e, em segundo lugar, a habitação e a necessidade de encontrarmos respostas importantes para os mais jovens e para as diferentes gerações”.

No setor da saúde, José Luís Carneiro declarou querer assegurar que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) dá resposta dentro dos prazos necessários.

Sustentando esse objetivo, afirmou: “Temos mais pessoas com falta de médico de família, mais pessoas à espera da primeira consulta, das cirurgias e das cirurgias oncológicas e é preciso garantir respostas adequadas”, defendeu.

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