Em 2010, quando chegou ao mercado, Sonic Colors foi visto como um dos melhores jogos de Sonic the Hedgehog em muitos anos. Com níveis divertidos e bem construídos, controlos mais afinados do que em qualquer Sonic 3D até então, e poderes inéditos dados por criaturas alienígenas chamadas Wisps, o jogo ofereceu uma experiência muito sólida e acabou por servir de base para futuros títulos 3D da série. Ainda assim, por ter sido exclusivo da Wii, ficou preso a uma plataforma entretanto ultrapassada, levando a que muitos jogadores nunca o tivessem experimentado. Isso muda já no próximo mês: a Sega, a Sonic Team e o estúdio Blind Squirrel Games vão lançar uma versão remasterizada para sistemas actuais com Sonic Colors: Ultimate.
Com este lançamento, a Sega quer que quem falhou o jogo na primeira oportunidade consiga perceber melhor o caminho que a série seguiu nos anos seguintes. Afinal, os Wisps voltaram a aparecer em sequências multiplataforma, como Sonic Generations, Sonic Forces e Team Sonic Racing. Na prática, Sonic Colors funciona não só como porta de entrada para estas criaturas, mas também como uma história de origem sobre a forma como chegaram ao mundo do Sonic. E como o jogo influenciou a direcção dos Sonic posteriores, a Sega considerou que era um candidato óbvio para receber uma remasterização nos sistemas modernos.
Melhorias visuais em Sonic Colors: Ultimate (4K e 60 fps)
Como é habitual nas remasterizações, Sonic Colors: Ultimate dá uma camada nova a uns visuais já datados. A mudança é particularmente notória porque a versão de origem era da Nintendo Wii, que corre a 480p, e o salto tecnológico sente-se de imediato. Esta edição não se limita a ajustar a imagem: melhora a iluminação, acrescenta mais polígonos e passa a suportar resolução 4K e desempenho a 60 fotogramas por segundo. “Em 2010, isto corria em ecrãs com menos píxeis do que o teu smartphone, por isso dar esse salto [...] foi um enorme desafio”, afirma o produtor associado da Sega, Calvin Vu. “Queremos mesmo garantir que este jogo fica com bom aspecto, ao nível dos padrões de hoje.”
Tive oportunidade de jogar Sonic Colors: Ultimate durante pouco mais de 30 minutos. Apesar de a demonstração ter sido virtual - o que significa que a nitidez da imagem e a resposta dos controlos não eram tão precisas como seriam numa sessão local -, saí impressionado, sobretudo com a forma como o jogo se apresenta face à versão original de 2010. Os gráficos, os cenários e os modelos das personagens não atingem o nível de um título mais recente como Sonic Forces, mas para um jogo da Wii lançado em 2010, Sonic Colors: Ultimate tem um aspecto excelente em movimento.
Som remisturado e banda sonora com novas versões
O trabalho não ficou pelos visuais. A equipa também remisturou o áudio, incluindo a banda sonora. Os efeitos sonoros soam mais nítidos e a música inclui novas versões de faixas que já são familiares para quem jogou o original. Algumas destas melhorias visuais e sonoras até poderiam ter sido alcançadas na Wii, mas foi graças às plataformas actuais que a Sega conseguiu integrá-las de forma completa nesta remasterização.
Personalização do Sonic e ajustes de acessibilidade
Uma das novidades que não teria sido viável na Wii por limitações técnicas é a personalização da personagem. Agora é possível desbloquear cosméticos para o Sonic, com opções como sapatos, luvas, impulsos e auras diferentes. Por exemplo, dá para rodear o Sonic com chamas através de um impulso de gelo, ao mesmo tempo que usa luvas com padrão de chita e sapatos de outra cor - pode não ser o visual mais bonito ou mais icónico que o Sonic alguma vez teve, mas passa a ser o visual que tu escolhes para ele. Estas personalizações são obtidas com Fichas do Parque, que encontras enquanto jogas.
Uma grande parte do esforço da Sega e da Blind Squirrel esteve focada em tornar Colors mais acolhedor para novos jogadores. Para isso, Ultimate introduz a mecânica Salvamento do Tails: quando o Sonic cai, em vez de perderes uma vida, se tiveres uma ficha do Tails o amigo de duas caudas puxa-o de volta para a plataforma. Durante a minha sessão, esta ajuda foi bem-vinda, porque os buracos surgem depressa nos jogos do Sonic, e não é agradável perder progresso num nível só por estares a aproveitar o principal argumento da série: a velocidade.
O Salvamento do Tails é apenas um exemplo das melhorias de qualidade de vida que a Blind Squirrel e a Sega implementaram. Entre ajustes ao controlo do salto na parede e a possibilidade de redefinir totalmente os comandos no comando/teclado, Ultimate quer ser, de forma clara, a melhor versão do jogo. “Houve pequenos retoques e ajustes aqui e ali, para o tornar cada vez mais acessível”, diz o produtor da Sega, Aaron Roseman. “Assim é menos punitivo, menos desgastante, e mais entusiasmante de jogar. No fim, o nosso objectivo foi manter a diversão do título original, ao mesmo tempo que introduzimos estas novas funcionalidades.”
Conteúdo adicional: Wisp Fantasma de Jade e modo Corrida Rival
Do ponto de vista da jogabilidade, há também um Wisp novo: o Fantasma de Jade. Este poder foi apresentado pela primeira vez em Team Sonic Racing (2019) e, agora, passa a integrar retroactivamente a história de Sonic Colors através de Ultimate. Com este Wisp, o Sonic consegue atravessar obstáculos, abrindo acesso a zonas que antes não estavam ao alcance.
Os jogadores podem ainda contar com um novo modo, Corrida Rival, onde competes lado a lado com o Metal Sonic para ganhar recompensas.
Sonic Colors: Ultimate chega à PlayStation 4, Xbox One, Switch e PC a 7 de setembro. Para veres o jogo em acção, espreita o nosso episódio de “Novo Gameplay Hoje”.
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