Sala de consumo assistido na Pasteleira: convivência e desconforto
Na área onde está instalado o espaço de consumo assistido, há moradores que garantem que os utentes não causam transtornos e outros que defendem precisamente o contrário.
Leonor Teixeira não hesita: "Não concordo que a sala de chuto seja aqui, na Pasteleira, nem no Aleixo", destino para o qual a Câmara do Porto pretende deslocar esta resposta. O prédio do Bairro da Pasteleira onde viveu - e onde a mãe continua a morar - fica encostado a um condomínio de luxo e, ali, diz, "até nem há problemas" associados ao tráfico e ao consumo de droga que ocorrem praticamente ao lado. Ainda assim, o que descreve como a "miséria humana" à volta da sala de consumo assistido amovível, instalada em 2022 na zona da Pasteleira Nova, deixa-as angustiadas.
Transferência para o Aleixo e reações na comunidade
Num território onde se cruzam realidades muito diferentes, também não existe um consenso: a estrutura de apoio a toxicodependentes tanto é rejeitada como bem aceite por quem ali vive.
Fernanda Costa é perentória: "Isto é horrível. Sei que no Aleixo estão incomodados, e compreendo perfeitamente. Mas, se não é para uns, também não é para outros". Diz sentir-se "aliviada" com a notícia de que o serviço vai sair daquela zona, embora sublinhe que "discorde que vá para um sítio habitacional", como o Aleixo.
"A sala foi uma das melhores coisas que fizeram, para eles não andarem a pegar nas seringas uns dos outros. Mas se fosse para um espaço maior, era melhor, porque aquilo é pequenino; estão ali meia dúzia e já fica ocupado. Acho que até deviam ter um espaço para ficarem a dormir e poderem tomar banho", observa Ana Ribeiro, que viveu seis décadas na Pasteleira e está há 10 anos no vizinho Bairro Pinheiro Torres.
"Perigo para a saúde"
Deolinda Santos, residente no Bairro da Pasteleira há 30 anos, concorda que os toxicodependentes "precisam de ajuda" e assegura que a sala, em funcionamento ali há quase quatro anos, "não está a estorvar". Arrepia-se ao lembrar "o miudinho de 15 anos que apareceu por aí e que já se vai perder", mas insiste que "não há assaltos".
Também Ana Ribeiro refere que "Não vejo as pessoas queixarem-se deles nem do espaço, e não tem havido problemas. Eles não fazem mal a ninguém; é o espaço deles, a vida deles. É o que é. Por vezes, ficam deitados à porta [da sala]. Não incomodam, e respeitam as pessoas que passam".
Já do lado da Pasteleira Nova, a experiência diária dos moradores aponta noutra direcção. Fernanda Costa descreve: "Da minha entrada vejo a sala, e mais abaixo estão acampados. É porrada, barulho, insultos, porcaria, seringas... A polícia vem, mas, passado um dia, estão acampados outra vez. Temos aqui crianças e isto é um perigo para a saúde pública".
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