Política feita de anúncios
Grande parte do ofício de fazer política em Portugal - sobretudo no discurso de quem governa a partir do topo do país ou no terreno - parece resumir-se a anunciar medidas. Não há qualquer pecado na intenção de um governante de explicar à população o rumo a seguir ou as soluções em cima da mesa. Pelo contrário: a transparência nas decisões públicas é desejável e devia ser um pilar da democracia, ainda que, entre nós, continue a ser um percurso pouco trilhado.
Proibição de camiões na Via de Cintura Interna do Porto (VCI): o que fica por esclarecer
Quando se trata de anúncios, o problema quase sempre está na falta de nitidez. Divulga-se a medida, mas ficam invariavelmente por responder perguntas básicas. Quase como se fosse uma ciência, esta fórmula voltou a ser usada pelo Governo, pela voz do ministro da Presidência, ao anunciar a proibição de camiões na Via de Cintura Interna do Porto (VCI). Determina-se a interdição em dias úteis, das 7 às 21 horas, sem se explicar com clareza a quem se destina, de que modo será aplicada e como será fiscalizada.
As regras, tudo indica, constarão de um decreto-lei que a maioria ainda desconhece, apesar de a entrada em vigor estar a menos de três meses. Este apagão informativo não serve nem a população nem as empresas. Exige-se uma comunicação clara e pormenorizada, que vá além de anúncios que - por falta de dados - acabam por ficar pelos títulos.
Alívio do tráfego na VCI, A41 (CREP) e portagens
E, para reduzir o tráfego na VCI, sempre foi evidente que seria preciso reforçar a resposta, seja através de interdições, seja por via de portagens. Não admira, por isso, que a decisão isolada de isentar os camiões do pagamento de portagens na A41 (CREP) não tenha libertado as faixas da VCI das filas de camiões que a atravessam. Os camionistas não abandonaram o trajecto e muitas transportadoras continuam a preferir o caminho mais curto, já transformado em hábito. E nós, humanos, somos seres que protegem as suas rotinas.
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