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Irão recusa participação da França na desminagem do estreito de Ormuz anunciada por Macron com Omã

Dois oficiais militares a analisar mapas numa cabina com vista para o mar e vários navios ao fundo.

O Irão afirmou, esta segunda-feira, que não vai autorizar a França a integrar quaisquer operações de desminagem no estreito de Ormuz, uma iniciativa que tinha sido previamente anunciada pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, em articulação com Omã.

Irão veta França na desminagem do estreito de Ormuz

"Macron afirmou que irá cooperar na remoção das minas no estreito de Ormuz em coordenação com os seus parceiros. De acordo com o memorando de entendimento de Islamabad, a remoção das minas cabe exclusivamente ao Irão e a mais nenhum país. Em princípio, não permitimos uma operação deste tipo", escreveu na rede X o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão para os Assuntos Jurídicos e Internacionais.

O responsável, Kazem Gharibabadi, referia-se ao memorando assinado pelo Irão e pelos Estados Unidos, com mediação do Paquistão, que determina o cessar imediato do conflito desencadeado pela ofensiva israelo-americana de 28 de fevereiro contra a República Islâmica e prevê igualmente o arranque de conversações com vista a um acordo final de paz.

Segundo Teerão, o entendimento inclui ainda a reabertura do estreito de Ormuz, que nos últimos meses foi colocado sob ameaça militar do Irão, num ponto de passagem crucial por onde circulam cerca de 20% do comércio mundial de produtos petrolíferos.

"A situação é delicada e complicada. Recomendamos sinceramente que a França não a complique ainda mais com as suas provocações", acrescentou o vice-ministro, reagindo ao anúncio de Macron de uma missão militar conjunta com Omã destinada à desminagem do estreito de Ormuz.

Macron e Omã defendem “navegação livre” no estreito de Ormuz

"Estamos a trabalhar em conjunto para reduzir as tensões no Médio Oriente. Decidimos colaborar, juntamente com os nossos parceiros, na desminagem do estreito de Ormuz para garantir as rotas marítimas e assegurar o trânsito livre e incondicional", afirmou o chefe de Estado francês.

A cooperação foi tornada pública durante a deslocação a Paris do sultão de Omã, Haitham bin Tariq. Nessa visita, França e Omã convergiram na necessidade de assegurar "navegação livre" no estreito de Ormuz, "sem condições ou restrições".

Negociações Irão–EUA e nova escalada militar na região

Nos últimos dias, a tensão entre Teerão e Washington voltou a intensificar-se, com ataques iranianos contra vários navios e com bombardeamentos norte-americanos dirigidos a instalações militares na costa sul do Irão.

Em resposta, Teerão lançou posteriormente ataques contra bases norte-americanas no Kuwait e no Bahrein.

Tratou-se dos primeiros ataques recíprocos entre as partes desde a assinatura, em 17 de junho, do memorando de entendimento pelos presidentes dos Estados Unidos e do Irão.

Ao abrigo desse memorando, os dois lados vão manter negociações com um prazo de 60 dias, centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções aplicadas à República Islâmica e na questão dos seus bens congelados no exterior.

Para lá do dossiê do estreito, as conversações ficam também sob pressão devido à continuação da ofensiva de Israel contra o grupo xiita Hezbollah no Líbano - país incluído na trégua por exigência de Teerão.

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