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Depois de alcançar a Full Operational Capability (FOC) no final de 2025 e de somar novos progressos na maturidade das suas capacidades de combate, na produção local e na transferência de tecnologia, os caças F-39E Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB) preparam-se para realizar a sua primeira deslocação internacional no Exercício Salitre 2026, um dos mais importantes exercícios aéreos multinacionais da América do Sul.
Este destacamento acontece numa fase de consolidação operacional e industrial do programa Gripen. Nos últimos meses, o projecto registou avanços relevantes em capacidades de combate, produção no país e transferência tecnológica. Organizado pela Força Aérea do Chile (FACh), na Região de Antofagasta, entre o final de Junho e o início de Julho, o Exercício Salitre 2026 assinalará a primeira vez que estes caças operam fora do território brasileiro, projectando internacionalmente os resultados alcançados pela FAB com a sua nova geração de aeronaves de combate.
Salitre 2026: primeira deslocação internacional dos F-39E Gripen da FAB
A participação ganha especial significado porque, embora os F-39E já tenham integrado o exercício multinacional CRUZEX 2024, essa experiência decorreu no Brasil, num cenário doméstico em que a FAB actuou como força anfitriã. Assim, o Salitre 2026 constituirá a primeira deslocação ao exterior destes aviões, integrando uma força multinacional com meios do Chile, dos Estados Unidos, da Argentina, da Colômbia, do Paraguai e do Reino Unido.
Para a FAB, esta saída para fora de portas surge num momento particularmente relevante para a frota Gripen. Depois de atingir a Full Operational Capability (FOC) no final de 2025, os caças passaram a assumir novas responsabilidades no sistema de defesa aeroespacial do Brasil, incluindo missões de alerta de defesa aérea e exercícios cada vez mais complexos, orientados para consolidar doutrinas, tácticas e procedimentos de emprego.
Um novo marco operacional para um programa em plena consolidação
A introdução de um novo sistema de armas exige anos de ensaios, certificação, formação e validação de capacidades até se atingir maturidade operacional. No caso do Gripen brasileiro, a participação no Salitre 2026 chega após uma sequência de marcos que foi alargando, passo a passo, o leque de missões atribuídas à aeronave. Um dos mais relevantes foi o primeiro disparo do míssil ar-ar de longo alcance MBDA Meteor, realizado em Novembro de 2025, um acontecimento que validou as capacidades Beyond Visual Range (BVR) do F-39E e consolidou a integração de um dos sistemas de armas mais avançados da região.
Ao longo de 2026, a incorporação progressiva e a prontidão operacional dos Gripen prosseguiram com a Operação Thor, conduzida na Base Aérea de Natal. Nesse contexto, o Gripen experimental FAB 4100 executou com sucesso testes de largada de bombas guiadas e de queda livre, tornando o Brasil o primeiro operador no mundo a empregar bombas Mk-84 e Lizard 500 guiadas a laser a partir desta plataforma. Estas actividades ampliaram de forma significativa as capacidades ar-solo do sistema e reforçaram a sua preparação para missões de ataque.
Em paralelo, a FAB aprofundou a qualificação das suas guarnições através de exercícios especializados. Recentemente, os F-39E participaram, pela primeira vez, no Dissimilar Visual Air Combat Technical Exercise (EXTEC WVR), operando lado a lado com caças F-5M e aeronaves AMX A-1M. A actividade permitiu aperfeiçoar tácticas de combate visual e complementou a preparação para cenários BVR, fortalecendo a doutrina operacional associada ao emprego do Gripen em ambientes de elevada exigência.
Outro marco importante foi a estreia dos F-39E no exercício conjunto Escudo-Tínia 2026, uma das principais actividades de treino das Forças Armadas do Brasil. Realizado entre 11 e 29 de Maio na Base Aérea de Anápolis, o treino permitiu avaliar a integração dos Gripen com outros meios da FAB num cenário conjunto complexo que envolveu a Marinha do Brasil e o Exército Brasileiro, testando capacidades de coordenação e interoperabilidade.
Produção local, transferência de tecnologia e chegada do F-39F
Ainda assim, a relevância do programa Gripen ultrapassa a dimensão estritamente operacional. Em Março de 2026, o Brasil apresentou, em Gavião Peixoto, o primeiro F-39E fabricado em território nacional, tornando-se o primeiro país a produzir este caça fora da Suécia. O evento representou um dos maiores marcos de transferência de tecnologia e de conquista industrial já alcançados pela Base Industrial de Defesa brasileira, consolidando competências locais para produzir, integrar e apoiar aeronaves de combate de nova geração.
A estes progressos somou-se, mais recentemente, a apresentação, na Suécia, do primeiro F-39F Gripen de dois lugares destinado à FAB, uma variante concebida para ampliar as capacidades de treino avançado e de emprego operacional através da incorporação de um Weapons Systems Officer (WSO). Neste enquadramento, a participação dos F-39E no Salitre 2026 vai além de uma simples deslocação internacional.
Para a FAB, a actividade será a primeira oportunidade de demonstrar fora das suas fronteiras o grau de maturidade atingido pelo programa Gripen, testando num ambiente multinacional as capacidades desenvolvidas e certificadas ao longo dos últimos anos. Deste modo, o exercício no Chile surge como mais um passo na consolidação daquele que está destinado a tornar-se o principal sistema de combate da aviação militar brasileira nas próximas décadas.
Imagens usadas para fins ilustrativos.
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