Saltar para o conteúdo

Cuerpo de Marines de EE.UU. despede-se do AV-8B Harrier II e recorda o Sea Harrier FRS.1 na Guerra das Malvinas de 1982

Piloto militar caminhando ao lado de avião de combate estacionado numa pista de aeroporto.

Adiciona-nos aos favoritos no Google

Porque o deves fazer? Recebe as últimas notícias da Zona Militar directamente no teu feed do Google.

Após mais de cinco décadas de serviço operacional, o Cuerpo de Marines de EE.UU. concretizou a retirada dos AV-8B Harrier II, encerrando o percurso de uma das aeronaves STOVL (descolagem curta e aterragem vertical) mais marcantes da aviação militar contemporânea. Este adeus aos aparelhos norte-americanos traz também de volta a memória do papel desempenhado pelos britânicos Sea Harrier FRS.1 e Harrier GR.3 na Guerra das Malvinas de 1982, quando o então disruptivo Harrier ganhou projecção global ao enfrentar as forças armadas argentinas no Atlântico Sul.

Cerimónia de despedida do AV-8B Harrier II no Cuerpo de Marines de EE.UU.

A cerimónia realizou-se a 3 de junho, na Estação Aérea do Cuerpo de Marines de Cherry Point, na Carolina do Norte. O evento, promovido pelo Marine Attack Squadron 223, "The Bulldogs", incluiu o derradeiro voo oficial de cinco AV-8B Harrier II, que sobrevoaram a base e aterrraram depois perante militares no activo, veteranos e entusiastas da aviação.

No âmbito do processo de desactivação, o esquadrão deixará de operar em setembro. Já as aeronaves seguirão destinos distintos: algumas serão entregues a museus e outras ficarão armazenadas para preservação.

O precedente da Guerra das Malvinas de 1982: Sea Harrier FRS.1 e Harrier GR.3

Embora os AV-8B norte-americanos pertençam a uma geração posterior, a sua linhagem recua ao Harrier revolucionário concebido no Reino Unido no final da década de 1960. Foram precisamente os Sea Harrier FRS.1 da Marinha Real britânica e os Harrier GR.3 da Real Força Aérea que, durante a Guerra das Malvinas, evidenciaram na prática o potencial do conceito.

Em 1982, a força-tarefa enviada pelo Reino Unido para o Atlântico Sul após a recuperação da soberania do arquipélago por parte da Argentina dependeu, em larga medida, da cobertura aérea assegurada por estas aeronaves. Inicialmente, operaram a partir dos porta-aviões HMS Invincible e HMS Hermes e, mais tarde, passaram também a actuar a partir de aeródromos de campanha instalados nas ilhas.

Emprego operacional e impacto nas capacidades STOVL

Ao longo da campanha, foram destacados 28 Sea Harrier e 14 Harrier GR.3. Estes aparelhos cumpriram patrulhas aéreas de combate para assegurar a defesa permanente da frota e executaram missões de ataque contra alvos em terra. O seu desempenho revelou-se decisivo para proteger os navios britânicos e sustentar as operações aeronavais em torno das ilhas.

Os resultados alcançados pela força-tarefa foram surpreendentes quando considerados a disponibilidade, as características do modelo e o grau de sucesso obtido. Apesar de operarem em inferioridade numérica face à aviação argentina, os Sea Harrier conseguiram abater cerca de duas dezenas de aeronaves inimigas em combates ar-ar, sem registar perdas próprias nesse tipo de confronto, em parte graças ao míssil ar-ar AIM-9L Sidewinder de última geração. A actuação destas plataformas alterou a percepção dominante sobre aeronaves de descolagem vertical, que até então muitos especialistas viam como soluções de capacidades limitadas.

Do Atlântico Sul aos conflitos do Médio Oriente

A ligação entre os Marines norte-americanos e o Harrier começou formalmente no final da década de 1960, com a compra dos primeiros AV-8A. Mais tarde, a aeronave evoluiu através de um programa conjunto entre a McDonnell Douglas e a British Aerospace, que deu origem ao AV-8B Harrier II, incorporado em 1985. Com o passar dos anos, a plataforma recebeu múltiplas modernizações, incluindo a variante Harrier II Plus, dotada de radar multimodo, nova aviônica, motores mais potentes e capacidades reforçadas para missões de ataque e de apoio aéreo aproximado.

Os AV-8B participaram em vários conflitos, das operações Desert Shield e Desert Storm no Golfo Pérsico às campanhas no Médio Oriente desencadeadas após os atentados de 11 de setembro. Ainda assim, a entrada ao serviço do caça de quinta geração F-35B Lightning II acabou por ditar o destino desta aeronave histórica. Enquanto o Cuerpo de Marines de EE.UU. conclui a transição para o novo aparelho de 5.ª geração, o legado do Harrier mantém-se, não só pelos mais de cinquenta anos de serviço, mas também por ter demonstrado, em cenários como a Guerra das Malvinas, que um desenho inovador podia tornar-se um factor determinante no campo de batalha.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário