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A Índia está a dar mais um passo na aquisição de 114 caças Dassault Rafale através de um acordo com a França, avaliado em aproximadamente 325.000 milhões de rúpias (cerca de USD 3,382 bilhões). O programa contempla a produção local de 92 aeronaves e tem como objectivo reforçar a capacidade operacional da Força Aérea Indiana.
Acordo Índia–França para 114 Dassault Rafale
A Força Aérea Indiana está a formalizar a compra de 114 Rafale depois de concluir uma Carta de Solicitação (LoR) dirigida à França, com vista a avançar no maior programa de aquisição de aeronaves de combate da sua história. O entendimento, calculado em cerca de 3,382 bilhões de dólares, prevê a entrada ao serviço de 114 caças Dassault Rafale, sendo que 92 deverão ser montados localmente, em linha com a política industrial impulsionada por Nova Délhi.
A LoR representa um passo determinante no mecanismo de negociação entre governos enquadrado pelo Acordo Intergovernamental existente entre os dois países. De acordo com o calendário previsto, o documento seguirá para França nas próximas semanas, abrindo o caminho às negociações formais para concretizar a compra dos aparelhos destinados a aumentar a capacidade de combate da Força Aérea Indiana.
Este avanço ocorre em paralelo com a visita oficial de três dias a França do chefe do Estado-Maior da Força Aérea Indiana, o marechal do ar Amar Preet Singh, iniciada em 1º de junho. A sua deslocação ao país europeu acontece enquanto Nova Délhi acelera os preparativos para uma aquisição considerada estratégica no âmbito dos seus planos de modernização militar.
Produção local e reforço da indústria de defesa
A iniciativa estabelece que, numa fase inicial, entre 12 e 18 aeronaves sejam entregues a partir de França, para permitir uma integração antecipada da nova frota. Depois disso, as 92 unidades restantes deverão ser fabricadas ou montadas pela indústria indiana, alinhadas com a estratégia nacional orientada para elevar a produção interna de sistemas de defesa.
Este modelo industrial já mostra resultados concretos. Em novembro de 2025, a Bharat Electronics Limited (BEL) e a Safran Electronics and Defence (SED) assinaram um acordo para criar uma joint venture dedicada a produzir na Índia o sistema de munição guiada de precisão HAMMER. O plano aponta para um nível de localização próximo de 60%, incluindo a produção de componentes electrónicos, subconjuntos e peças mecânicas.
A colaboração entre as duas empresas pretende garantir apoio ao longo de todo o ciclo de vida operacional das munições destinadas à Força Aérea Indiana e à Marinha Indiana. Em paralelo, a BEL ficará responsável por actividades como a montagem final, os testes e o controlo de qualidade, enquanto a transferência de tecnologia a partir de França será implementada de forma gradual.
A compra dos 114 Rafale recebeu um impulso decisivo em fevereiro de 2026, quando o Ministério da Defesa da Índia concedeu a Acceptance of Necessity (AoN) necessária para avançar com a aquisição. Esta autorização integrou um pacote mais amplo de programas militares aprovados pelo governo, que incluiu também novos mísseis e plataformas satelitais.
Rafale M: variante naval para a Marinha Indiana
Em simultâneo, a Índia está igualmente a avançar com a integração da variante naval do Rafale. Em março de 2026, surgiu que a Marinha Indiana poderia receber as suas primeiras aeronaves destinadas ao treino de pilotos antes da chegada da frota completa de 26 caças Rafale M. Este desenvolvimento reforça a ideia de que a Índia vê o Rafale francês como um elemento central na sua política de defesa, tanto para a Marinha como para a Força Aérea.
Caso o acordo actualmente em negociação se concretize, a Força Aérea Indiana formaliza a compra de 114 Rafale numa operação que combinará modernização militar, transferência de tecnologia e expansão da capacidade industrial nacional. Isso poderá permitir que o país continue a acumular experiência e a elevar as suas competências industriais para, mais tarde, desenvolver e produzir projectos próprios (situação semelhante à que a Coreia do Sul tem feito com os seus submarinos), como é o caso do caça de quinta geração AMCA.
Imagens meramente ilustrativas.
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