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Dua Lipa e Callum Turner celebram na Sicília com luxo, ruas fechadas e protestos

Homem e mulher junto a carro clássico creme com multidão e edifícios antigos ao fundo numa rua de pedra.

Após um casamento civil discreto em Londres, a cantora e o actor escolheram a Sicília para prolongar a celebração com pompa: ruas cortadas, luxo ostensivo, um elenco de convidados VIP e protestos em pleno espaço público.

Duas geografias e o mesmo tipo de encenação, com a vida privada transformada em acontecimento global. Depois do registo civil, realizado de forma reservada na capital britânica, Dua Lipa e Callum Turner continuaram o casamento na Sicília, em Itália, num fim de semana em que Palermo e Bagheria serviram de palco a uma operação marcada por ostentação, domínio do espaço urbano e contestação.

Dua Lipa e Callum Turner na Sicília: início das celebrações em Palermo

De acordo com a agência italiana ANSA, o arranque passou por uma visita privada à Galeria de Arte Moderna de Palermo. A seguir, o grupo deslocou-se para a Piazza Croce dei Vespri, nas imediações do Palazzo Gangi Valguarnera, um cenário histórico associado ao filme "O leopardo", de Luchino Visconti.

Nesse local, a produção integrou mesas do restaurante Osteria dei Vespri, espelhos antigos e automóveis clássicos numa composição cuidadosamente planeada, concebida para um aperitivo acompanhado por concerto.

Privacidade e controlo do espaço público

À medida que a festa avançava, o encerramento da cidade tornou-se mais visível. Lonas negras, barreiras e pontos de controlo de acesso foram delimitando o perímetro do evento, convertendo áreas públicas em zonas temporariamente privatizadas.

Em determinadas situações, segundo relatos locais, para entrar era necessário entregar os telemóveis, que eram colocados sob película opaca para impedir qualquer captação de imagens. O controlo da privacidade foi levado ao limite.

Uma cidade dividida

Moradores e comerciantes queixaram-se de restrições, encerramentos impostos e da apropriação temporária de ruas históricas. Em vários locais apareceu a frase "Palermo não está para alugar", sinal de um desconforto que se foi acentuando com a progressão do evento.

Entre a celebração e a crítica, Palermo continuou atravessada por um imaginário religioso e identitário muito presente, em que Santa Rosália, padroeira da cidade, permanece como referência simbólica profundamente enraizada na vida local.

A dimensão mediática foi reforçada pela lista de convidados: o produtor Mark Ronson, a cantora e compositora Charli XCX, o actor Joe Alwyn e a estilista Donatella Versace foram alguns dos nomes mais falados. Ao longo do fim de semana, Dua Lipa exibiu cerca de vinte mudanças de visual, entre as quais um vestido branco da Bottega Veneta, usado no início das celebrações.

A festa central decorreu na Villa Valguarnera, em Bagheria: uma mansão do século XVIII, restaurada, carregada de história e também marcada por memórias do passado mafioso siciliano. Entre o Palazzo Gangi e o iate "Nero", com cerca de 90 metros, o itinerário acabou por desenhar na ilha uma geografia de exclusividade.

O presidente da câmara Roberto Lagalla descreveu os condicionamentos como um "pequeno sacrifício" em nome da projecção internacional de Palermo. Para muitos habitantes, contudo, prevaleceu a imagem de uma cidade temporariamente fechada, dividida entre o fascínio do espectáculo e a recusa do preço que lhe foi associado.

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