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Liniker fecha a digressão europeia no North Festival, na Maia, com triunfo total

Cantora em palco colorido perante público com bandeiras arco-íris em festival ao ar livre.

A artista brasileira Liniker subiu ao palco do North Festival, na Maia, no segundo dia do evento, para aquele que foi o seu derradeiro concerto na Europa. E a noite terminou com um triunfo sem reservas.

Treze pessoas em palco, um fato de treino cor-de-rosa a brilhar sob as luzes, tacões improváveis e uma voz com a capacidade de suspender o mundo à volta: foi com esta presença que Liniker marcou a última paragem da digressão antes do regresso ao Brasil. "É uma honra finalizar o nosso show aqui", atirou logo no arranque, acolhida por uma ovação que voltaria a repetir-se ao longo de toda a atuação, este sábado à noite, no Estádio da Maia.

O concerto não correu atrás de nenhum destino com pressa. A partir da introdução, com "Papo reto" e "Faz assim", ficou claro que a cadência seria a das emoções - com espaço para pequenas paragens e para os silêncios que a cantora sabe preencher como poucas. "Caju", "Tudo" e "Sem nome, mas com endereço" abriram a estrada para uma viagem onde vulnerabilidade e ternura caminharam lado a lado. O resultado foi um triunfo absoluto.

Uma festa de delicadeza e cor

"A poesia não tem hora para chegar", disse Liniker a meio da atuação - e a frase acabou por resumir tudo o que se seguiu. Há nela qualquer coisa de genuinamente espontâneo: canta como quem conversa e como quem reparte memórias antigas com amigos de longa data. É nessa sensação de proximidade que se concentra uma parte decisiva da sua força.

Em "Calmo", "Bem bom" e "Veludo marrom", o relvado do Estádio da Maia rendeu-se por inteiro. Ainda assim, a noite não viveu apenas da contemplação. Entre sorrisos cúmplices trocados com a banda e passinhos rebolados em tacões vertiginosos, Liniker provou que a delicadeza pode coexistir com a celebração. Há uma leveza natural na forma como ocupa o palco, uma elegância sem esforço e uma alegria contagiante que rapidamente passa para a plateia.

Quando soaram os primeiros acordes de "Zero", percebeu-se de imediato a dimensão do momento. A canção que a revelou ao mundo foi recebida como um abraço antigo, cantada em uníssono por um público que parecia saber cada sílaba de cor. Depois, vieram, de mãos dadas, a festa e a intimidade: "Papo de édredon", "Pop star" e "Melhor notícia".

Liniker une estilos e gerações

"Me ajude a salvar", "Febre" e uma "Baby 95" particularmente comovente voltaram a sublinhar o que faz de Liniker uma artista tão singular. São raras as vozes que conseguem transmitir tanta verdade sem cair no excesso.

Tudo parece nascer com naturalidade: a interpretação, os gestos, os olhares, a forma como se dirige ao público entre golpes de anca e o cabelo a esvoaçar. É música que junta estilos - os músicos que a acompanham são um regalo para qualquer melómano - e também gerações. Notou-se isso na quantidade de gente que entrou precisamente à hora do seu espetáculo, num encontro onde conviviam fãs de MPB, soul e roqueiros a desfilar t-shirts de Manowar, Nirvana e Guns.

O concerto fechou com "Charme" e ficou com a marca desses encontros raros em que a música parece dar exatamente aquilo de que precisamos. Talvez porque, como a própria Liniker recordou, a poesia nunca avisa quando chega. E também não parece avisar quando parte - razão pela qual, com tristeza, os fãs a viram sair sem regressar para o muito pedido bis.

Waterboys: "Fisherman" a abrir

Os The Waterboys, liderados por Mike Scott - de chapéu de cowboy, calças vermelhas e uma vivacidade impressionante aos 67 anos - começaram a tocar perto das 22 horas. E abriram logo com um êxito: "Fisherman"s blues". A canção do álbum de 1988 pôs todo o recinto a cantar em uníssono o refrão, "With light in my head, with you in my arms", seguindo depois para um clássico de Dylan, "Knocking on the heavens door".

O cartaz da segunda noite do North Festival 2026 encerra com os suecos Europe, que chegam à Maia para assinalar os 40 anos de "The final countdown".

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