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O Lavrador, de José Alves, em Lisboa

Mulher sorridente a comer peixe grelhado numa mesa com vários pratos e vinho branco num restaurante.

O Lavrador e José Alves na Estrela, em Lisboa

O restaurante O Lavrador, comandado por José Alves, é, para mim, um dos sítios mais democráticos que conheço. Comer aqui nunca é uma coisa leviana: é sempre levado a sério, como deve ser. Diria até que é nesta casa que a ideia de preço justo encontra uma das suas bandeiras mais firmes. Fica na Calçada da Estrela, em Lisboa, e todos os dias junta uma verdadeira horda de comensais.

Entrar n’O Lavrador e cruzar-nos com a figura carismática do patrão é obrigatório - e a sensação é a de termos feito uma pequena viagem no tempo. Passei a minha primeira infância na Estrela e, ainda assim, só já sexagenário é que vim a descobrir este templo de comida.

Um acaso feliz levou-me até aqui; pouco depois, um amigo taxista confirmou o achado com uma recomendação imbatível: contou-me, com entusiasmo, que era ali que jantava todos os dias depois de acabar a jornada. Melhor validação não podia haver.

Do couvert às entradas

O arranque faz-se com um couvert simples e certeiro: pastas de sardinha, atum e queijo creme, acompanhadas por bom pão do dia.

Nas entradas, há aquele alinhamento de fritos que alimenta e alegra: pastéis de bacalhau muito apetitosos, chamuças saborosas e bem fritas, rissol de camarão, croquetes de carne e panadinhos de queijo e fiambre - daqueles que sabem pela vida.

Pratos principais: peixe e carne

Nos pratos de peixe, há muito por onde escolher. O bacalhau à minhota sai impecável: bem frito, em cebolada, com a companhia majestosa de batatas fritas às rodelas. Quando aparece bacalhau à Gomes de Sá, não deixe passar - está entre os melhores de Lisboa e respeita a receita que eu não me canso de elogiar como uma das mais sofisticadas feitas a partir do fiel amigo. E há ainda espetadas de lulas, notáveis pela frescura, pela tenrura e pela forma como chegam ao prato.

Na carne, o apetite não fica atrás. A posta de carne à Lavrador é muito boa e executada com mestria. A entremeada grelhada é belíssima e, aviso, altamente viciante. A alheira de Paredes de Coura que aqui se faz sobe a fasquia e torna-nos mais exigentes com todas as outras. É cozinha de raízes no seu melhor. Os secretos de porco ibérico, grelhados na brasa, são de comer e chorar por mais. O bife de vaca frito à Lavrador fica na memória por muito tempo. E os lagartos de porco grelhados são elevados nesta casa a iguaria excelsa e requintada.

Sobremesas e vontade de voltar

Para fechar, o doce da casa é um pudim de caramelo maravilhoso, daqueles que terminam a refeição como deve ser. A mousse de chocolate, caseira, é um autêntico valha-me Deus. E o leite-creme merece lugar de antologia culinária, pela técnica e pelo prazer que dá.

Sair daqui sem deixar mesa marcada para amanhã é, francamente, difícil. A Estrela tem este paraíso em plena Calçada - e haverá muitas vezes em que, para uma refeição a sério, não nos ocorre nada para lá do Lavrador.

Informações úteis

O Lavrador
Calçada da Estrela, 193, Lisboa
Tel.: 213 961 807
Web: Facebook
Das 12h às 15h e das 19h às 22h, de terça a domingo
Preço médio: 15 euros

"Prato do dia" é um guia Evasões/TSF pelos restaurantes de Portugal. No ar de segunda a sexta, depois do meio-dia e das 18 horas. Também disponível em tsf.pt

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