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CPJ alerta: segurança de 50 mil repórteres no Mundial 2026

Jornalista com colete amarelo na bancada de um estádio, segurando câmara fotográfica e portátil aberto.

Mais de 50 mil repórteres deverão marcar presença no Mundial de futebol, mas o Comité para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) deixa um aviso: entre fronteiras, protestos e contextos de tensão, a segurança será o desafio mais exigente.

Mundial 2026: o alerta do CPJ para 50 mil repórteres

O fulgor dos estádios e o ruído das claques que vão colorir o Canadá, o México e os Estados Unidos, neste verão, não contam a história toda - sobretudo para quem está no terreno a tentar levar a notícia ao público. A FIFA prevê acreditar cerca de 50 mil profissionais, mas, para muitos, a partida decisiva joga-se longe do relvado: garantir a própria sobrevivência e manter condições mínimas de segurança.

O CPJ já chamou a atenção para o risco de o ambiente festivo não servir de escudo contra assédio, detenções ou episódios de violência, problemas que têm manchado coberturas mediáticas de grandes eventos desportivos.

Fronteiras nos EUA e perigos no México

Nos Estados Unidos, país que vai receber a maioria dos jogos, o acolhimento aos média pode estar longe de ser tranquilo. O CPJ destaca relatos recentes de interrogatórios prolongados e de revistas minuciosas a equipamentos eletrónicos logo à chegada, em contexto de controlo fronteiriço. Para um jornalista, o computador e o telemóvel são prolongamentos do seu trabalho, da sua voz e das suas fontes; vê-los expostos a escrutínio por autoridades representa uma ameaça ética e um risco direto para a segurança.

Segundo os registos apontados, houve profissionais a quem foram revogados vistos e outros que acabaram deportados - um cenário que assusta, em particular, jornalistas estrangeiros, mais expostos à vigilância e às decisões das autoridades de imigração.

Quando o foco se desloca para o México, o risco assume contornos ainda mais físicos, imediatos e brutais. Quem decidir investigar corrupção ou violações de direitos humanos que, muitas vezes, orbitam estes acontecimentos pode ficar sujeito a ameaças e agressões. O relatório é claro: ataques, tanto no espaço digital como no terreno, tendem a agravar-se quando as vítimas são jornalistas de géneros marginalizados.

Porto de abrigo digital

Para evitar que profissionais e redações fiquem sem apoio, o CPJ e a Rede de Assistência a Jornalistas dos EUA montaram uma estrutura de resposta. Há uma linha de apoio jurídico gratuita, disponível 24 horas por dia, e um assistente virtual no WhatsApp que fornece protocolos de segurança ao primeiro “olá”. O conselho é direto: antes de fazer as malas, convém “limpar” os dispositivos de dados sensíveis e conhecer os direitos legais aplicáveis em cada território.

Em zonas de adeptos ou em protestos - onde o entusiasmo pode rapidamente transformar-se em caos -, as principais medidas de mitigação passam por usar equipamento de proteção individual (EPI) e manter uma vigilância constante do que se passa à volta. Apoio financeiro de emergência e aconselhamento individual surgem como recursos adicionais para aumentar a segurança e reforçar a preparação das equipas de reportagem durante o Mundial 2026.

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