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Putin afirma que encontro com Zelensky não faz sentido antes de um acordo de paz

Mesa de reunião com bandeiras da Rússia e Ucrânia, documentos e vídeoconferência no fundo.

O presidente da Rússia afirmou esta sexta-feira que uma reunião com o seu homólogo ucraniano só faria sentido depois de estar concluído um acordo de paz, reagindo ao convite de Volodymyr Zelensky para um encontro a sós.

Putin descarta encontro com Zelensky antes de um acordo de paz

Em São Petersburgo, à margem do Grande Fórum Económico Internacional, Vladimir Putin desvalorizou a utilidade de uma reunião imediata, apontando que ela serviria sobretudo os interesses de Kiev. "Não vejo o interesse de um encontro. Isso só tem interesse para a parte ucraniana, a fim de travar o avanço das nossas forças armadas", declarou.

O chefe de Estado russo defendeu, em alternativa, um processo técnico prévio. "[É necessário] deixar os especialistas trabalharem, desenvolverem soluções e, depois, poderemos encontrar-nos", acrescentou.

Objetivos de Moscovo e condições para o fim da guerra na Ucrânia

Na mesma intervenção, Putin sustentou que o conflito só terminará quando a Rússia considerar cumpridas as metas a que se propôs. "Partimos do princípio de que as hostilidades vão terminar um dia. E, sem dúvida, vão cessar quando tivermos alcançado os objetivos que nos propusemos", declarou Putin.

Carta aberta de Zelensky, críticas e referência ao ataque com drones de 22 de maio

A carta aberta divulgada na quinta-feira - a primeira mensagem pública em que Zelensky se dirigiu diretamente a Putin desde o envio de tropas russas para a Ucrânia em 2022 - incluiu críticas duras ao percurso de 26 anos do líder russo no poder.

Putin, ao recusar a proposta de uma reunião, classificou como grosseira a iniciativa, a atitude e o documento apresentados por Zelensky, referindo em particular um ataque com drones ocorrido a 22 de maio contra uma residência estudantil na região de Lugansk, sob controlo russo, que, segundo Moscovo, provocou 21 mortos e dezenas de feridos.

Foi neste contexto que Putin questionou a intenção por detrás dos contactos propostos: "Será uma forma de criar condições para encontros pessoais e conversações ou de criar um ambiente que torne impossível qualquer encontro pessoal?", acrescentando que acredita tratar-se da segunda hipótese.

Washington e antecedentes: Trump, Moscovo e a hipótese de um país terceiro

Na carta aberta, Zelensky reconheceu que as prioridades dos Estados Unidos se alteraram, considerando ser errado limitar-se a esperar que a administração norte-americana de Donald Trump volte a concentrar-se no fim dos combates na Ucrânia, enquanto se mantém fortemente focada na guerra com o Irão.

Em Washington, o presidente norte-americano, Donald Trump, disse que "seria ótimo" que Putin e Zelensky se reunissem.

Putin já tinha sugerido anteriormente que Zelensky se deslocasse a Moscovo para conversações, proposta que o líder ucraniano recusou de forma clara.

No mês passado, o presidente russo indicou não afastar a possibilidade de um encontro num país terceiro, mas apenas quando existir um entendimento final pronto a ser assinado.

Cessar-fogo e compromissos discutidos em Anchorage

Na quinta-feira, Putin voltou a rejeitar a exigência de Zelensky de um cessar-fogo imediato, argumentando que Moscovo procura uma solução de conjunto e não uma pausa temporária.

Segundo Putin, a Rússia continua disponível para um compromisso em relação à Ucrânia, alinhado com os entendimentos alcançados na cimeira realizada no ano passado com Trump, em Anchorage, no Alasca. Acrescentou que Kiev terá de aceitar esses pontos para que seja possível chegar a um acordo que termine o conflito, agora no quinto ano.

"Naturalmente, a parte ucraniana gostaria que suspendêssemos os avanços das tropas russas. Mas seria melhor acabar com a guerra através da aceitação dos compromissos discutidos em Anchorage", acrescentou.

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