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Serra da Estrela entra na Rede Mundial de Reservas da Biosfera da UNESCO

Mulher com mochila lê mapa numa paisagem montanhosa com campos e colinas ao entardecer.

A Serra da Estrela foi integrada na Rede Mundial de Reservas da Biosfera, uma distinção da UNESCO atribuída a territórios que conseguem articular “a conservação da natureza com o desenvolvimento humano sustentável”.

Aprovação na UNESCO: Serra da Estrela na Rede Mundial de Reservas da Biosfera

Segundo o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), a validação da candidatura foi comunicada hoje durante a 38.ª sessão do Conselho Internacional de Coordenação do Programa Homem e Biosfera (MAB), a decorrer no Centro de Convenções Itaipu Roga, em Hernandarias, Paraguai, desde 03 de junho.

Com esta decisão, Portugal passa a somar 14 Reservas da Biosfera da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), recordou o ICNF.

Dupla classificação UNESCO e gestão integrada no mesmo território

O mesmo organismo sublinhou ainda que a Serra da Estrela fica agora com duas designações UNESCO atribuídas ao mesmo território: o Geopark Global UNESCO, reconhecido em julho de 2020, e, a partir de agora, a Reserva da Biosfera. “Os dois estatutos serão geridos de forma integrada, numa lógica de governança conjunta que permitirá otimizar recursos humanos, financeiros e materiais”, indicou o ICNF.

Área, municípios abrangidos e zonamento da Reserva da Biosfera da Estrela

De acordo com o instituto, a Reserva da Biosfera da Estrela totaliza 2.372,99 quilómetros quadrados (km²), repartidos pelos seis municípios do Parque Natural da Serra da Estrela: Seia, Gouveia, Celorico da Beira, Guarda, Manteigas e Covilhã.

A estrutura territorial da Reserva da Biosfera da Estrela organiza-se em três zonas complementares: uma Zona Núcleo, onde se concentram os valores naturais mais relevantes (212,55 km²), uma Zona Tampão para mediação ecológica (679,65 km²) e uma Zona de Transição orientada para atividades humanas sustentáveis (1.480,80 km², correspondendo a 62% da reserva).

A candidatura foi dinamizada pela AGE - Associação Geopark Estrela e contou com coordenação científica de Helena Freitas, do Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra.

O ICNF destacou que o processo decorreu “de um amplo processo participativo que envolveu autarquias, sociedade civil, comunidade educativa e organizações ambientais, tendo como base o Plano de Cogestão do Parque Natural, aprovado em novembro de 2024”.

“Esta designação não é apenas um reconhecimento internacional, é um compromisso ativo com os objetivos globais de conservação da biodiversidade inscritos no Quadro Global de Biodiversidade Kunming-Montreal, e uma oportunidade para afirmar a Serra da Estrela como referência nacional e internacional em práticas inovadoras de sustentabilidade e educação ambiental”, salientou ainda o ICNF.

Por seu lado, a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, frisou que este reconhecimento é “uma oportunidade para reforçar a sustentabilidade da Serra da Estrela, colocando a inovação e a educação ambiental ao serviço das comunidades e das gerações futuras”.

Numa nota divulgada pelo ministério, Maria da Graça Carvalho assinalou “o forte envolvimento dos autarcas e da sociedade civil, que tanto contribuíram para o sucesso do projeto, o papel da Associação Geopark Estrela, que promoveu a candidatura, e da professora Helena Freitas, que assegurou a sua coordenação científica”.

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