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Novo Porsche Macan elétrico: primeiro contacto em estrada

Carro elétrico Porsche Macan EV cinzento estacionado numa estação de carregamento moderna e iluminada.

É apenas elétrico - e isso não deve afastar ninguém. O novo Porsche Macan afirma-se como um dos SUV mais conseguidos do segmento.


Apesar de a Porsche estar a enfrentar, este ano e a nível global, uma quebra na procura por automóveis 100% elétricos, a estreia do novo Porsche Macan assinala mais um capítulo importante na história da marca alemã. Tal como estava previsto, a nova geração do SUV - um dos modelos mais vendidos da casa - passa a existir exclusivamente com propulsão 100% elétrica.

O novo Macan já está disponível em vários países, e Portugal surge entre os mercados com maior destaque. O interesse dos clientes portugueses pelo Porsche Macan representa cerca de 45% de todo o mercado ibérico. Mesmo com os adiamentos no lançamento, o SUV continuou a somar encomendas em pré-venda.

Em números, já foram entregues 213 unidades em território nacional e, até ao final do ano, a estimativa é que o total se aproxime das 450 unidades.

Chegou, por fim, o momento de termos o primeiro contacto dinâmico em estradas portuguesas.

Porsche Macan: é um Porsche, sim senhor

Ao primeiro olhar, fica evidente que só podia ser um Porsche. Há vários elementos estéticos que também vimos estrear no Taycan e que reaparecem aqui, como os faróis com quatro pontos de luz e a faixa traseira horizontal em LED.

Ainda assim, o SUV mais compacto da Porsche tem pouco de “compacto”. Mede quase 4,8 m de comprimento e 1,94 m de largura, com uma altura ligeiramente acima de 1,6 m. Em comparação com a geração anterior, cresceu um pouco em comprimento e também em largura.

A chave da unidade de ensaio que nos foi entregue acordou o sistema de iluminação de um Porsche Macan Turbo, em tom escuro e com jantes de 22” de diâmetro. À semelhança do antecessor, mantêm-se os painéis laterais decorativos, mas a linha do tejadilho está agora ainda mais alinhada com a linguagem Porsche.

Tal como no Taycan, a designação Turbo deixa de estar associada a um motor de combustão e passa a indicar a versão de topo. A Porsche utiliza “Turbo” nos seus modelos a combustão mais potentes e não quis perder essa referência também na gama elétrica.

Habitáculo moderno, mas familiar

Ao sentar-me ao volante, nem preciso de procurar: sei que o arranque - neste caso de um sistema elétrico com dois motores - continua a pedir a mão esquerda. A diferença é que, onde antes se colocava a chave, existe agora um botão.

A posição de condução está no ponto: há regulações elétricas nos bancos e na coluna de direção, e o volante desportivo de três braços fica mesmo à minha frente, com uma inclinação mais vertical. Tal como no Taycan, o seletor da transmissão mudou para o lado direito do painel de instrumentos.

Dentro do habitáculo, pouco há a acrescentar face ao que o Diogo Teixeira já mostrou no vídeo, durante a primeira apresentação no início do ano.

Vale apenas reforçar que o espaço a bordo é generoso e que existem quase 670 litros de capacidade total para bagagens: 580 l na traseira e 84 l na bagageira dianteira, sob o capô, numa solução que lembra, em espírito, um Porsche Boxster.

Finalmente, em estrada

A sensação mais imediata ao conduzir - percebida logo nos primeiros metros - é a robustez do conjunto. Não é tanto por causa das 2,5 toneladas, mas sobretudo pela elevada rigidez estrutural e pela qualidade de montagem, que afastam ruídos parasitas. E, como se espera de um elétrico, o isolamento acústico no interior é excelente.

Mesmo a passar por lombas e por ruas com piso mais degradado, essa sensação de solidez mantém-se, tanto no habitáculo como no feedback que chega pela coluna de direção e na forma como a suspensão “assenta” no asfalto - isto apesar das enormes jantes de 22” e dos pneus de perfil baixo montados na nossa unidade. Ainda assim, o conforto continua em bom nível.

A maior parte do percurso, com 130 km, foi feita em autoestrada e com muitos quilómetros de chuva. Os 430 kW (584 cv) de potência máxima combinada - 470 kW (639 cv) em sobrecarga com controlo de arranque - obrigam a dosear cuidadosamente o acelerador. É muito fácil ser “lançado” para a frente e atingir velocidades elevadas num instante. Os 1130 Nm de binário imediato fazem com que os 2500 kg do Macan pareçam bem menos.

A plataforma PPE (Plataforma Elétrica Premium) que serve de base ao Macan - dedicada a elétricos e desenvolvida em conjunto pela Porsche e pela Audi (estreou-a no Q6 e-tron) - recorre a uma arquitetura de 800 V. Para já, existe apenas uma bateria disponível, com 100 kWh de capacidade, sendo 95 kWh utilizáveis.

O Macan Turbo anuncia 590 km de autonomia (ciclo combinado WLTP), mas, neste primeiro contacto, não foi possível retirar conclusões sólidas sobre consumos. Essa análise fica reservada para um ensaio completo.

Em contrapartida, o sistema de quatro rodas direcionais provou continuar a ser uma excelente ajuda em manobras, ao mesmo tempo que contribui para grande estabilidade em curva. Tudo isto aliado a uma direção rápida e muito precisa, resultando numa condução particularmente envolvente.

Mais versões a caminho

As duas primeiras variantes a surgirem no configurador foram o Macan 4 e o Macan Turbo, com preços base de 86 793 euros e 118 846 euros, respetivamente. E são precisamente estas duas que já conduzimos e que já vamos encontrando na estrada.

Neste momento, há ainda mais duas versões em fase de encomenda: o Macan (versão base) e o Macan 4S, embora a chegada das primeiras unidades só esteja prevista para o próximo mês de fevereiro. No caso do Macan 4S, o preço base é de 94 038 euros, mas será a versão base a gerar mais conversa quando o tema é o preço.

O Porsche Macan que fica com a missão de ser a porta de entrada para esta gama começa nos 83 671 euros e será o primeiro Macan com apenas tração traseira. A potência máxima do único motor é de 360 cv e a aceleração dos 0 aos 100 km/h faz-se em 5,7s.

Ainda assim, o dado mais relevante é a autonomia máxima anunciada de 643 km, já que a bateria do sistema elétrico é a mesma das restantes versões - ou seja, a que oferece 100 kWh de capacidade (95 kWh utilizáveis).

Quanto ao que vem a seguir, é prematuro antecipar o futuro do Porsche Macan e da plataforma PPE. O que já é conhecido é que o objetivo original da marca - chegar a 80% das vendas totais com elétricos em 2030 - já não se vai concretizar. Isso pode significar um prolongamento da vida dos motores de combustão e uma maior aposta em híbridos. Leiam tudo no artigo abaixo:

Veredito

Especificações técnicas

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