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A Marinha do Brasil prepara-se para assinalar mais um momento importante no seu programa de renovação da frota de superfície, com a cerimónia de lançamento à água da fragata Cunha Moreira (F202), a terceira unidade da classe Tamandaré. O evento está previsto para 17 de junho e deverá ocorrer pouco depois da entrega provisória da fragata Tamandaré (F200), navio líder da série.
Calendário do programa e progresso industrial da classe Tamandaré
Este avanço na construção sublinha o ritmo do programa e reforça a transição para escoltas futuras com uma configuração mais moderna e interoperável. Com a Cunha Moreira a entrar na água, o projecto segue o calendário industrial definido, em paralelo com a Jerônimo de Albuquerque (F201), que já se encontra em fase de preparação para iniciar testes de mar durante o segundo semestre. Ambas as unidades fazem parte do primeiro lote de quatro navios planeados para a fase inicial do programa.
Entrega provisória da Tamandaré (F200) e início do período de garantia
A entrega provisória da Tamandaré constituiu um marco recente do projecto. Formalizada a 6 de março através do Termo de Aceitação e Recebimento Provisório (TERP), esta transferência assinalou a passagem oficial do navio para a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON), dando igualmente início ao período de garantia dos sistemas embarcados, após as validações em testes de mar e de integração.
Lançado em 2017, o Programa Fragatas Classe Tamandaré foi desenhado para substituir, de forma gradual, as fragatas da classe Niterói, que durante décadas formaram o núcleo das forças de escolta da Marinha do Brasil. O programa é gerido pela EMGEPRON e executado pelo consórcio Águas Azuis - composto por Thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa e Segurança e Atech - com o objectivo de robustecer a capacidade industrial de defesa do país e aumentar a autonomia tecnológica no sector naval.
Capacidades e armamento: MEKO A-100, Sea Ceptor e MANSUP
Assentes no desenho alemão MEKO A-100, as fragatas têm um deslocamento de cerca de 3.500 toneladas e foram concebidas para missões de guerra antissuperfície, antiaérea e antissubmarino. O conjunto de armamento integra o sistema de mísseis antiaéreos Sea Ceptor, o míssil antinavio MANSUP desenvolvido no Brasil, um canhão Leonardo de 76 mm, sistemas Rheinmetall de 30 mm, além de tubos lançadores de torpedos e um pacote avançado de sensores e de sistemas de combate compatíveis com padrões da OTAN.
Próximos passos: segundo lote e presença no Atlântico Sul e “Amazónia Azul”
A botadura da Cunha Moreira acontece também num contexto de crescimento futuro do programa. A Marinha do Brasil já equaciona um segundo lote com quatro unidades adicionais, o que elevaria o total para oito fragatas. Esta expansão permitiria substituir por completo a classe Niterói e consolidar uma nova geração de escoltas orientadas para reforçar a presença naval brasileira no Atlântico Sul e na denominada “Amazónia Azul”.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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