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Cultura de defesa em Espanha: FAS, consenso político e o II Barómetro GAD3/TEDAE

Militares explicam oportunidades na defesa a grupo de jovens num evento ao ar livre com material informativo.

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Demonstrações públicas das FAS e a atenção que se esvai

No passado dia 30 de maio, Vigo foi palco de um espectáculo que juntou militares, altas figuras do Estado e cidadãos curiosos para acompanhar uma demonstração de capacidades de defesa. Durante várias horas, as FAS deixaram de ser uma instituição abstracta e passaram a ser pessoas, profissões, competências e presença pública. O problema surge dias depois: quando os carros de combate regressam à base, em regra a população volta a desviar o olhar das FAS e da defesa, até à chegada do dia da Festa Nacional, em outubro.

Consenso político e uma política estrutural de defesa em Espanha

Num país em que a integração da Defesa Nacional nas diferentes camadas da sociedade civil tem sido travada por vicissitudes políticas e pela ideia de desperdício do erário público, torna-se necessário continuar a mostrar e a apoiar de forma permanente as FAS e a indústria que as sustenta. Em paralelo, o consenso político é determinante para construir uma política e uma cultura de defesa bem-sucedidas que, por definição, constituem uma questão de Estado e devem sobreviver ao governo do momento.

Estes pilares indispensáveis no contexto internacional actual - consenso político, demonstração de capacidades e consciencialização da cultura de defesa - têm de deixar de ser tratados como temas pontuais, lembrados apenas algumas vezes por ano, para passarem a integrar uma política nacional estruturante. Assim, reforça-se também a previsibilidade de que a indústria de defesa necessita, enquanto acompanha atentamente o grau de compromisso de Espanha após atingir em 2025 os 2% do PIB em defesa, ultrapassando os 34.000 milhões de euros.

II Barómetro sobre Segurança e Defesa (GAD3/TEDAE): sinais na sociedade

Hoje, a necessidade de tornar transversal a cultura de defesa em Espanha parece mais favorável do que em anos anteriores. O II Barómetro sobre Segurança e Defesa, elaborado pela GAD3 para a TEDAE, retrata uma sociedade mais atenta à instabilidade internacional: 69% afirma estar mais preocupado com conflitos armados do que há cinco anos.

O dado mais relevante não é apenas o medo em si, mas a perceção de ligação que começa a consolidar-se entre o que acontece fora e o impacto dentro do território nacional: energia, cadeias de abastecimento, inflação ou dependência externa.

Apesar de a comparação com a despesa social ter sido usada como ponta de lança contra o investimento em defesa, esta perceção também parece estar a mudar entre os espanhóis inquietos com a crescente conflituosidade internacional. A indústria de defesa recolhe igualmente uma avaliação social “amplamente positiva”. De acordo com a GAD3, a percentagem de cidadãos que apoiam o fomento da indústria nacional de defesa aumenta face à edição anterior, fixando-se em 70% de aceitação. O valor sobe para oito em cada dez entre os que consideram que as empresas do sector têm um papel “importante ou muito importante” na garantia da segurança nacional.

Também é relevante que mais de metade dos inquiridos opte por um modelo de indústria de defesa assente em empresas especializadas em diferentes sectores estratégicos (espaço, naval ou satélites), em vez de um modelo concentrado em torno de um grande campeão nacional da defesa, como poderia resultar de uma eventual fusão entre a Indra e a Escribano.

Serviço militar voluntário e programas de pedagogia da Defesa Nacional

Um passo importante para desenvolver a cultura de defesa num país com necessidades nesta área é a implementação de um serviço militar. Apesar da tradicional posição mais pacifista da sociedade espanhola e da eliminação da “mili” (serviço militar obrigatório) em dezembro de 2001, após mais de 200 anos de tradição, mais de metade das pessoas inquiridas pela GAD3 seria favorável à criação de um serviço militar voluntário. Esta tendência poderá continuar a crescer como consequência do estabelecimento de serviços militares em Estados-membros da UE.

Como fica patente, Espanha deve tirar partido da janela de oportunidade criada pelo esforço de investimento em defesa e pela maior consciencialização dos espanhóis, para instituir programas estratégicos de pedagogia que continuem a aproximar a Defesa Nacional da cidadania.

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