Em 2017, Mario + Rabbids: Kingdom Battle apanhou muita gente de surpresa pela forma como juntou, com inteligência, dois universos muito diferentes, apoiando-se num molde improvável: um jogo de tácticas por turnos. Cinco anos depois, a continuação Mario + Rabbids Sparks of Hope chega a 20 de Outubro e pega no que resultou, ao mesmo tempo que mexe nas fundações para não soar a simples repetição.
A produtora associada do jogo, Christina Nava, conta que a Ubisoft ficou radiante com o impacto de Kingdom Battle e com a forma como conseguiu entreter tanto os fãs de estratégia por turnos como quem normalmente passa ao lado do género.
"Ficámos particularmente contentes por termos visto muitos jogadores pouco habituados ao género táctico a enfrentarem-no e a divertirem-se, mesmo que, ao início, não acreditassem que isso fosse acontecer", afirma Nava.
Jogabilidade de Sparks of Hope: mais mobilidade, mesma estratégia por turnos
Com esse objectivo, a Ubisoft quer alargar ainda mais o público com Sparks of Hope, garantindo que as suas mecânicas são apelativas para um maior número de pessoas. Uma das mudanças mais visíveis é a eliminação do movimento em grelha. Em vez disso, os jogadores passam a poder deslocar as personagens livremente pelo campo de batalha em tempo real - embora o alcance de movimento continue a impor limites - e o jogo mantém-se assente em turnos.
Segundo Nava, a experiência continua fiel às raízes estratégicas e o novo sistema dá mais dinamismo aos confrontos, ao mesmo tempo que torna as regras mais fáceis de perceber para quem está a começar.
Outra alteração importante está na composição da equipa. Em Kingdom Battle, era obrigatório incluir pelo menos uma unidade de cada franquia, mas agora é possível formar qualquer combinação: um grupo só com estrelas do universo Mario, uma equipa inteira de Rabbids, ou qualquer mistura entre ambos.
Enredo cósmico e novas personagens jogáveis
Na história, Mario, Luigi e Peach viajam pelo espaço com as suas versões Rabbid, apenas para descobrirem a galáxia em perigo. Uma entidade maligna chamada Cursa começou a tomar conta do cosmos e o seu alcance não poupa ninguém: até o exército de Bowser é controlado mentalmente e usado como arma.
Por causa disso, o arqui-inimigo de Mario junta-se a contragosto ao grupo, acompanhado por duas novidades: Rabbid Rosalina e Edge, um Rabbid original envolto em mistério.
Nava não quis revelar muitos pormenores narrativos (sobretudo sobre Edge), mas explicou o que estas novas caras acrescentam ao combate. A Rabbid Rosalina, pouco entusiasmada e descrita por Nava como estando "mesmo cínica e exausta o tempo todo", usa uma peluche que dispara balas, o que a torna uma boa lutadora de longo alcance. A sua técnica de assinatura lança um efeito de estado de grande área chamado estase, que imobiliza inimigos dentro do raio e impede-os de atacar ou de usar técnicas.
Bowser, por sua vez, aposta em capacidades destrutivas centradas em explosões. Por exemplo, ao aterrar após um salto, cria uma onda de choque, e vem equipado com uma arma ao estilo de lança-foguetes baptizada de "Bowzooka". Este armamento dispara rochas de magma que incineram os alvos. Além disso, Bowser consegue invocar lacaios Rabbid Koopa, que assediam os inimigos até explodirem.
Edge, a espadachim, é uma lutadora pura, ou seja, não tem meios para curar nem para proteger outras unidades. A espada de grandes dimensões permite-lhe atingir vários adversários num único golpe (desde que estejam suficientemente próximos). A técnica Storm Blade funciona, na prática, como uma vigilância reactiva: qualquer inimigo que se aproxime de Edge enquanto o Storm Blade estiver activo leva com um ataque imediato.
Sparks: Lumas infundidos com Rabbids e novas combinações
Os Sparks - que dão nome ao jogo - são a outra grande novidade. Ao equipar estes Lumas com essência Rabbid, os heróis ganham efeitos variados, sendo que cada personagem pode levar até dois.
Os Sparks podem reforçar defesas e também potenciar ataques com elementos como choque, queimadura e gelo, ou até com uma característica vampírica que drena vida, entre outros poderes. E, pela importância que têm, os Sparks também ocupam um papel relevante - ainda desconhecido - na narrativa.
"[Os Sparks] permitem mesmo que os jogadores experimentem no campo de batalha com combinações diferentes", explica Nava. "Sobretudo ao analisar o campo de batalha e ver que tipo de heróis e inimigos lá estão. E, assim, ao jogar com as fraquezas e forças dos inimigos, pode escolher as combinações certas e derrotá-[los] de forma mais eficiente."
Planetas exploráveis, actividades paralelas e puzzles ambientais
Sparks of Hope aposta numa escala cósmica ao deixar os jogadores explorarem vários planetas, num formato que Nava descreve como "um mundo aberto dentro de cada planeta". Os locais que vimos tinham temas familiares, como um mundo de fogo carregado de lava, um planeta gelado coberto de neve e uma selva tropical exuberante.
Cada destino pode ser percorrido livremente e todos os planetas apresentam muitas missões secundárias e outras actividades para fazer ao ritmo do jogador.
"Vai encontrar mistérios e vai resolver puzzles ambientais", diz Nava. "Vai encontrar grutas secretas e cofres onde vai descobrir novos itens e armas. Por isso, há mesmo, mesmo muito para fazer até fora do combate."
As imagens que vimos mostravam o grupo a resolver vários desafios; um deles envolvia a constelação no céu nocturno. Noutro, os jogadores tinham de manipular níveis de água num templo. Também regressam os clássicos minijogos das moedas azuis da série Mario. E há ainda interacções mais pequenas com o mundo, como abanar árvores para fazer cair fragmentos de estrela.
A Ubisoft também destacou a banda sonora, assinada por um trio de luxo: Grant Kirkhope, Gareth Coker e Yoko Shimomura. Boas músicas são mais um ponto a favor de Mario + Rabbids Sparks of Hope, e é bom ver a Ubisoft a arriscar em vez de se limitar ao que já sabe que funciona. Estamos curiosos para perceber como o movimento mais dinâmico muda o combate, como se cruzam as diferentes habilidades dos Sparks e como se desenrola uma narrativa que promete ser bem disparatada.
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