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Substituição do FAL 7,62 mm: ARAD entre os principais candidatos nas Forças Armadas argentinas

Soldado em uniforme camuflado e proteção auditiva a apontar arma num campo de treino de tiro ao alvo.

O que está em curso é um dos esforços mais ambiciosos de renovação do armamento individual nas Forças Armadas argentinas: o programa para substituir o Fuzil Automático Ligeiro (FAL) de 7,62 mm - após quase seis décadas de utilização - continua a avançar nas fases de avaliação, selecção e financiamento, com o fuzil israelita ARAD entre os principais candidatos. Suportada pelo Fundo Nacional da Defesa (FONDEF), a iniciativa enquadra-se nas metas do Plano de Capacidades Militares (PLANCAMIL), orientadas para recuperar e modernizar as capacidades do Instrumento Militar.

Modernização do armamento individual: âmbito e objectivos

Tendo em conta as necessidades operacionais e as limitações orçamentais inerentes a um programa desta dimensão, o desenvolvimento tem decorrido de forma faseada, com várias etapas destinadas a definir o futuro armamento portátil conjunto. O plano não se limita à introdução de novos fuzis de assalto: contempla também, numa lógica de modernização integrada do equipamento individual, uma eventual aquisição de pistolas, metralhadoras, lança-granadas, sistemas ópticos e munições.

Antecedentes de 2024: munições e o acordo com a Elbit Systems

Há registos de antecedentes desde Fevereiro de 2024, quando foram iniciados pedidos de cotação a empresas nacionais e internacionais para o fornecimento de munições de diferentes calibres, destinadas a satisfazer requisitos de aprontamento e treino das Forças Armadas. Após a análise de factores técnicos, logísticos, financeiros e de disponibilidade, foi escolhida a empresa israelita Elbit Systems, avançando-se depois para um acordo de implementação na modalidade Estado-Estado entre os ministérios da Defesa da Argentina e de Israel.

Contactos com a IWI e avaliação de sistemas em Israel (ARAD 5 e ARAD 7)

Em paralelo, ao longo de 2024 arrancaram as primeiras acções directamente ligadas à substituição do FAL. A 24 de Maio desse ano, militares do Estado-Maior Conjunto participaram numa sessão informativa organizada em conjunto com o SK Group, conglomerado empresarial que integra a Israel Weapon Industries (IWI), fabricante dos fuzis ARAD. Mais tarde, em Junho, representantes do Exército Argentino, da Armada Argentina e da Força Aérea Argentina voltaram a reunir-se para conhecer capacidades e produtos apresentados pela empresa israelita.

Um novo passo ocorreu em Setembro de 2024, quando efectivos da Armada Argentina e da Força Aérea Argentina se deslocaram a Israel para conhecer e avaliar diferentes sistemas desenvolvidos pela IWI e pela Meprolight. Para além do interesse nos fuzis ARAD 5 e ARAD 7, a visita permitiu observar e testar outros equipamentos de armamento portátil, incluindo pistolas Jericho, metralhadoras Negev, lança-granadas de 40 mm e diversos sistemas de miras ópticas, evidenciando que o esforço de modernização prevê uma renovação mais abrangente do que a simples substituição do FAL.

Estudos formais e avaliações técnico-operacionais (ETO): 2024–2025

Em Outubro de 2024, foram formalmente iniciados os estudos para a substituição conjunta do armamento portátil das Forças Armadas, sendo constituído um grupo de trabalho com representantes dos três ramos para estabelecer requisitos operacionais, especificações técnicas e critérios de avaliação. No âmbito dessas tarefas, em Dezembro o Exército Argentino recebeu o pedido para elaborar as Avaliações Técnico-Operacionais (ETO) e as especificações técnicas correspondentes a pistolas, fuzis de assalto, metralhadoras, lança-granadas e sistemas ópticos.

Importa ainda referir que, nessa fase, foram mantidos contactos com vários fabricantes internacionais interessados em participar no processo. Entre os nomes mencionados estiveram a IWI de Israel, a CZ Colt da República Checa, a Beretta de Itália, a Steyr da Áustria, a Bersa e a Aquila International, representante de diferentes empresas norte-americanas. Em Janeiro de 2025, avançou-se com as convocações formais para a execução das Avaliações Técnico-Operacionais, altura em que a documentação foi entregue às empresas ao abrigo de acordos de confidencialidade recíprocos.

Entre Fevereiro e Março de 2025, foram empenhadas três equipas de avaliação, compostas por militares das três Forças Armadas, que realizaram testes em Israel, nos Estados Unidos e na Europa. Concluídas as actividades, os relatórios técnicos foram consolidados e foi elaborada uma Matriz de Aptidão de Armamento, destinada a determinar que sistemas seriam aptos para emprego pelas Forças Armadas argentinas. Submetida ao Ministério da Defesa em Junho de 2025, essa matriz representou um marco decisivo no processo de selecção.

Neste momento, o programa encontra-se numa fase de negociação orientada para concretizar a futura aquisição do armamento seleccionado. Caso se confirmem novos progressos, as Forças Armadas darão um passo relevante na modernização do seu armamento individual, encerrando um ciclo de mais de sessenta anos de serviço do histórico fuzil belga que combateu nas Malvinas e abrindo uma nova etapa em matéria de capacidades operacionais e de aprontamento.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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